Celebro a alegria do Senhor na minha vida
“Como recebestes o Senhor Jesus Cristo, vivei nele, enraizados e edificados nele, inabaláveis na fé em que fostes instruídos, com o coração a transbordar de gratidão” (Cl 2,6).
Estávamos orando e o Senhor colocou no nosso coração que deseja que tomemos posse do que é nosso, através dele. O Senhor dizia que temos sido apologéticos a respeito das coisas que Ele nos deu, como se não tivéssemos o direito de desfrutá-las e de nos alegrarmos com elas. Ficamos como que pedindo desculpas aos outros quando gozamos de prosperidade, quando na nossa família e na nossa vida tudo dá certo. Ficamos com a impressão que não podemos ser felizes e ficamos diminuindo diante dos outros as bênçãos que recebemos. É certo que temos também coisas que não dão certo na nossa vida, acontecem problemas e contrariedades, mas as bênçãos, a proteção que recebemos de Deus precisam ser louvadas, acolhidas e desfrutadas com alegria.
Hoje, através da sua palavra e daquilo que falou ao nosso coração, o Senhor vem nos pedir para celebrarmos a nossa pertença a Ele, celebrarmos e usufruirmos com contentamento as bênçãos que recebemos.
Celebrar quer dizer basicamente duas coisas: (a)fazer acontecer, promover; (b) exaltar, dizer, publicar com louvores.
Então, celebrar a alegria do Senhor na nossa vida é promover essa alegria, é fazer com que ela aconteça e é também falar dela, louvá-la, publicá-la, isto é, torná-la pública, fazer com que os outros saibam dela, através do nosso testemunho de vida e das nossas palavras.
Hoje, seguindo a inspiração do Espírito, vamos ver como podemos promover a alegria do Senhor na nossa vida, lembrando que vida é o nosso interior e é também aquilo que nos circunda, nossa família, trabalho, missão.
Devemos começar nos perguntando: “A alegria de Deus está sendo celebrada nos meus pensamentos e sentimentos, está sendo celebrada na minha casa, no meu trabalho, na minha missão? Eu sou alegre, a minha casa é alegre, quando estou presente o meu ambiente de trabalho fica mais alegre?”.
Quem chegou à conclusão de que não é alegre, que sua casa não é alegre, não desanime, pois quando Deus nos chama para pensarmos sobre nossa vida, Ele o faz não para nos acusar, mas para ajudar-nos a mudá-la.
Uma maneira de promover a alegria do Senhor na nossa vida é com perdão. Um coração ressentido e magoado é um coração amargurado. Não pode ser alegre um coração sem perdão, não pode ser alegre uma casa sem perdão. A mágoa, o ressentimento, a raiva, o desejo de vingança são os maiores causadores de depressão, desânimo, falta de paz a até de doenças físicas. Vamos então fazer uma oração de entrega para o Senhor de toda nossa falta de perdão. Quem são as pessoas na minha casa, no meu trabalho, no meu grupo de oração que eu preciso perdoar?
Outra maneira de celebrar a alegria do Senhor é com louvores e ações de graças. Não pode ser alegre uma casa, um local de trabalho onde existem acusações e reclamações. Uma pessoa para ser alegre, deve ser uma pessoa que louva a Deus e que dá graças pelas bênçãos recebidas. Uma casa para ser alegre, deve ser uma casa onde se fala bem uns dos outros e da vida que se tem. Se quisermos as bênçãos de Deus sobre nossa vida nós precisamos aprender a abençoar. Abençoar é dizer bem, amaldiçoar é dizer mal. Nós temos dito o bem ou o mal sobre a nossa vida, sobre nossa família e sobre as pessoas que convivem conosco?
Façamos uma oração de renúncia de toda palavra má que proferimos, peçamos para Jesus lavar essas palavras no seu sangue redentor e, a seguir, façamos a consagração de nossos lábios e de nosso coração, que é o lugar de onde brotam nossas palavras, ao Senhor.
Outra maneira ainda de celebrar a alegria do Senhor é mostrando um semblante feliz, é sorrindo mais, dando mais risadas, cantando mais, alegrando-se mais com as coisas simples do dia-a-dia. Ficar feliz pelo sol que brilha ou pela chuva que cai, pelo cheiro do café de manhã ou da comida saborosa ao meio-dia quando se está com fome. Ficar feliz por poder deitar quando se está cansado ou ficar feliz de estar cansado por ter feito bem nosso trabalho.
No decorrer da semana, continuemos a praticar o louvor, a ação de graças, o perdão, a alegria de viver e Deus abençoará nossos esforços com a alegria que não se esgota, que se renova sempre, a alegria que é fruto do Espírito Santo.
Maria Beatriz Spier Vargas
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Psiquê!

Sem perdão não existe amanhã
Alguém já disse que a família é o lugar dos maiores amores e dos maiores ódios. Compreensível: quem mais tem capacidade de amar, mais tem capacidade de ferir. A mão que afaga é aquela de quem ninguém se protege, e quando agride, causa dores na alma, pois toca o ponto mais profundo de nossas estruturas afetivas. Isso vale não apenas para a família nuclear: pais e filhos, mas também para as relações de amizade e parceria conjugal, por exemplo.
Em mais de vinte anos de experiência pastoral observei que poucos sofrimentos se comparam às dores próprias de relacionamentos afetivos feridos pela maldade e crueldade consciente ou inconsciente. Os males causados pelas pessoas que amamos e acreditamos que também nos amam são quase insuperáveis. O sofrimento resultado das fatalidades são acolhidos como vindos de forças cegas, aleatórias e inevitáveis. Mas a traição do cônjuge, a opressão dos pais, a ingratidão dos filhos, a rixa entre irmãos, a incompreensão do amigo, nos chegam dos lugares menos esperados: justamente no ninho onde deveríamos estar protegidos se esconde a peçonha letal.
Poucas são minhas conclusões, mas enxerguei pelo menos três aspectos dessa infeliz realidade das dores do amar e ser amado. Primeiro, percebo que a consciência da mágoa e do ressentimento nos chega inesperada, de súbito, como que vindo pronta, completa, de algum lugar. Mas quando chega nos permite enxergar uma longa história de conflitos, mal entendidos, agressões veladas, palavras e comentários infelizes, atos e atitudes danosos, que foram minando a alegria da convivência, criando ambientes de estranhamento e tensões, e promovendo distâncias abissais.
Quando nos percebemos longe das pessoas que amamos é que nos damos conta dos passos necessários para que a trilha do ressentimento fosse percorrida: um passo de cada vez, muitos deles pequenos, que na ocasião foram considerados irrelevantes, mas somados explicam as feridas profundas dos corações.
Outro aspecto das dores do amar e ser amado está no paradoxo das razões de cada uma das partes. Acostumados a pensar em termos da lógica cartesiana: 1 + 1 = 2 e B vem depois de A e antes de C, nos esquecemos que a vida não se encaixa nos padrões de causa e efeito do mundo das ciências exatas. Pessoas não são máquinas, emoções e sentimentos não são números, relacionamentos não são engrenagens. É ingenuidade acreditar que as relações afetivas podem ser enquadradas na simplicidade dos conceitos certo e errado, verdade e mentira, preto e branco. A vida é zona cinzenta, pessoas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, cada uma com sua razão, e a verdade de um pode ser a mentira do outro. Os sábios ensinam que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e considerando que cada pessoa tem seu ponto, as cores de cada vista serão sempre ou quase sempre diferentes. Isso me leva ao terceiro aspecto.
Justamente porque as feridas dos corações resultam de uma longa história, lida de maneiras diferentes pelas pessoas envolvidas, o exercício de passar a limpo cada passo da jornada me parece inadequado para a reconciliação. Voltar no tempo para identificar os momentos cruciais da caminhada, o que é importante para um e para outro, fazer a análise das razões de cada um, buscar acordo, pedir e outorgar perdão ponto por ponto não me parece ser a melhor estratégia para a reaproximação dos corações e cura das almas.
Estou ciente das propostas terapêuticas, especialmente aquelas que sugerem a necessidade de re–significar a história e seus momentos específicos: voltar nos eventos traumáticos e dar a eles novos sentidos. Creio também na cura pela fala. Admito que a tomada de consciência e a possibilidade de uma nova consciência produzem libertações, ou, no mínimo, alívios, que de outra maneira dificilmente nos seriam possíveis. Mas por outro lado posso testemunhar quantas vezes já assisti esse filme, e o final não foi nada feliz. Minha conclusão é simples (espero que não simplória): o que faz a diferença para a experiência do perdão não é a qualidade do processo de fazer acordos a respeito dos fatos que determinaram o distanciamento, mas a atitude dos corações que buscam a reaproximação. Em outras palavras, uma coisa é olhar para o passado com a cabeça, cada um buscando convencer o outro de sua razão, e bem diferente é olhar para o outro com o coração amoroso, com o desejo verdadeiro do abraço perdido, independentemente de quem tem ou deixa de ter razão. Abraços criam espaço para acordos, mas a tentativa de celebrar acordos nem sempre termina em abraços.
Essa foi a experiência entre José e seus irmãos. Depois de longos anos de afastamento e uma triste história de competições explícitas, preferências de pai e mãe, agressões, traições e abandonos, voltam a se encontrar no Egito: a vítima em posição de poder contra seus agressores. José está diante de um dilema: fazer justiça ou abraçar. Deseja abraçar, mas não consegue deixar o passado para trás. Enquanto fala com seus irmãos sai para chorar, e seu desespero é tal que todos no palácio escutam seu pranto. Mas ao final se rende: primeiro abraça e depois discute o passado. Essa é a ordem certa. Primeiro, porque os abraços revelam a atitude dos corações, mais preocupados em se (re)aproximar do que em fazer valer seus direitos e razões. Depois, porque, no colo do abraço o passado perde força e as possibilidades de alegrias no futuro da convivência restaurada esvaziam a importância das tristezas desse passado funesto.
Quando as pessoas decidem colocar suas mágoas sobre a mesa, devem saber que manuseiam nitroglicerina pura. As palavras explodem com muita facilidade, e podem causar mais destruição do que promover restauração. Não são poucos os que se atrevem a resolver conflitos, e no processo criam outros ainda maiores, aprofundam as feridas que tentavam curar, ou mesmo ferem novamente o que estava cicatrizado. Tudo depende do coração. O encontro é ao redor de pessoas ou de problemas? A intenção é a reconciliação entre as pessoas ou a busca de soluções para os problemas? Por exemplo, quando percebo que sua dívida para comigo afastou você de mim, vou ao seu encontro em busca do pagamento da dívida ou da reaproximação afetiva? Nem sempre as duas coisas são possíveis. Infelizmente, minha experiência mostra que a maioria das pessoas prefere o ressarcimento da dívida em detrimento do abraço, o que fatalmente resulta em morte: as pessoas morrem umas para as outras e, consequentemente, as relações morrem também. A razão é óbvia: dívidas de amor são impagáveis, e somente o perdão abre os horizontes para o futuro da comunhão. Ficar analisando o caderno onde as dívidas estão anotadas e discutindo o que é justo e injusto, quem prejudicou quem e quando, pode resultar em alguma reparação de justiça, mas isso é inútil – dívidas de amor são impagáveis.
Mas o perdão tem o dia seguinte. Os que recebem perdão e abraços cuidam para não mais ferir o outro. Ainda que desobrigados pelo perdão, farão todo o possível para reparar os danos do caminho. Mas já não buscam justiça. Buscam comunhão. Já não o fazem porque se sentem culpados e querem se justificar para si mesmos ou para quem quer que seja, mas porque se percebem amados e não têm outra alternativa senão retribuir amando. As experiências de perdão que não resultam na busca do que é justo desmerecem o perdão e esvaziam sua grandeza e seu poder de curar. Perdoar é diferente de relevar. Perdoar é afirmar o amor sobre a justiça, sem jamais sacrificar o que é justo. O perdão coloca as coisas no lugar. E nos capacita a conviver com algumas coisas que jamais voltarão ao lugar de onde não deveriam ter saído. Sem perdão não existe amanhã.
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